BEM-VINDOS!!!





Sejam bem-vindos ao Blogfólio "Educação e Igualdade" da Especialização de Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça do Pólo de Cachoeiro de Itapemirim/ES.




quinta-feira, 31 de maio de 2012


CASOS DE EVASÃO ESCOLAR


Caso 1-    AUSÊNCIA DO SENTIMENTO DE PERTENÇA
            
Até os anos de 2007 no bairro Zumbi, o mesmo em que se localiza a Escola Julieta Deps Tallon, havia uma escola experimental denominada “Escola Cidadã” cujo propósito era o de abrigar adolescentes com defasagem idade – ano escolar, e até mesmo alguns/mas evadidos/as, que pretendessem voltar a estudar. A referida escola na verdade funcionava como laboratório para formandos/as do dos cursos de licenciatura do “Centro Universitário São Camilo”, mantida pela Ordem Católica dos Camilianos. Era uma forma de contribuir socialmente com a comunidade e ao mesmo tempo oferecer aos educandos da Universidade espaço para estágio.

A maioria dos alunos/as da Escola Cidadã, cerca de 80 % (oitenta por cento), eram negros/as e aos que demonstravam maior capacidade intelectual eram oferecidas oportunidades para o ensino médio de forma gratuita (bolsa integral). Ou seja, estava ali constituídas ações afirmativas na escola São Camilo, de ensino fundamental e médio, que funciona no mesmo espaço do Centro Universitário.

Dentre as/os alunas/os que sobressaíram na Escola Cidadã, lembro-me de uma – Edilaine- com a qual convivo, e que embora na escola da rede privada para onde foi contemplada viesse demonstrando toda a sua capacidade, quando encontrava-se no 2º ano do ensino médio evadiu-se .Os pais insistiram pela sua volta, mas não a convenceram.
Decorrido algum tempo, já em ano seguinte , quando soube do ocorrido procurei-a e indaguei as razões pela quais ela se evadira, e o que era pior não estava em nenhuma outra escola.
Agora um pouco mais madura, findo a ensino médio em horário noturno, ao perguntar-lhe sobre as causas de sua evasão da escola da rede privada, ela afirmou-me que não se sentia parte daquela escola, pois percebia a discriminação que sofria em razão da cor de sua pele (raça/etnia) e classe. Ou seja, por não haver o “sentimento de pertença” adolescentes/jovens se evadem da escola.
       


 Lição aprendida/Proposta de ação
Para nós que nos propomos a implementar um Projeto de Erradicação da Evasão Escolar na Escola Julieta Deps Tallon, seria interessante retomarmos o debate com o Centro Universitário São Camilo com a proposta de que seus/suas educandos/as contribuam com crianças/adolescentes com maiores dificuldades de aprendizagem. Entendemos que esta seria uma forma preventiva de evasão.




Caso 2 - GRAVIDEZ PRECOCE

Quando exercia a função de Conselheiro tutelar, no ano de 2005, o representante do Ministério Público de Cachoeiro de Itapemirim editou uma Portaria que exigia das escolas mapear os infrequentes e evadidos. Após a própria escola buscar intervir pelos seus retornos, se não conseguissem lograr êxito, obrigatoriamente deviam encaminhar ao Conselho Tutelar a relação com os/as alunos/as e responsáveis nestas situações.
A nós conselheiros/as cabia convocar pais e adolescentes para um diálogo o que fazíamos individual e em grupo.
Pude constatar que as evasões femininas se davam em maior quantidade em virtude de suas precoces gravidez.
Pude verificar também que nos Projetos Político-Pedagógicos das escolas não previa estes casos, havendo necessidade de debater com mais afinco a temática, assim como para manutenção das alunas-mães, talvez fosse indispensável que tivessem um berçário na escola.
Infelizmente a Portaria do MP não teve continuidade em razão da transferência de seu representante para outro município.


Lição aprendida/proposta de ação
Como se vê, as ações contra a evasão escolar podem/devem, às vezes necessitar dos representantes do Ministério Público, até porque é seu dever de ofício assegurar direitos à cidadania.
O Direito não é apenas de acesso à educação, mas de aprender. E aprender Cidadania, que exige consciência crítica.
Cabe as escolas elaborar PPP que abranjam as situações vividas pela comunidade. Participar da elaboração dos PPPs é responsabilidade da comunidade até porque como nos apresenta o Art. 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente:
                “É dever da família, da sociedade, da comunidade e do estado          assegurar os direitos das crianças e adolescentes.”


Autor: Manoel Alves Oliveira







segunda-feira, 2 de abril de 2012



ESTADO E SOCIEDADE: A LÓGICA DA POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA
        
Objetivando compreender as Políticas Educacionais no Brasil, faz-se necessário buscar além dos seus limites geográficos, para então fazer uma leitura crítica da economia e da política do mundo globalizado. Sabiamente em sua época Marx, já mencionava a escola como aparelho ideológico do Estado, sendo assim, pode-se entender que nesse sentido ele já anunciava que escola não está esvaziada de ideologias, e que essas, podem reger a escola.
        Vivemos em uma sociedade capitalista onde as leis mercadológicas imperam e comandam a política e a economia. O conceito de Capitalismo Dependente, segundo Florestan, constitui-se como meio de subordinação política e econômica do Brasil aos países imperialistas, e ao mesmo tempo articulada aos interesses econômicos e políticos da burguesia local em reproduzir internamente relações de dominação ideológica e exploração. Nesse sentido Mészáros, diz que o impacto da incorrigível lógica do capital sobre a educação tem sido grande ao longo do sistema, continua ele a dizer, que toda reforma econômica passa antes pela reforma educacional.
        A lógica do Capitalismo Dependente, de fato tem exercido seu papel de impor subordinação do Brasil, tanto à lógica dos países centrais quanto a burguesia local. Isso pode ser comprovado através de estreitos laços entre organizações internacionais como Organização Mundial do Comércio (OMC) e nos acordos assinados pelo Brasil com Banco Mundial (BM), onde este dita políticas educacionais, iniciadas com o financiamento para a educação básica e posteriormente para educação superior. Vale ressaltar, que essas instituições de fomento do mundo capitalista, buscam através da educação, ampliação de suas ideologias assim como, aumento da força de trabalho sob o viés da exploração e da alienação.
         Gentile, faz uma crítica a Teoria do Capital Humano, onde, a partir desta lógica, cada pessoa deve adquirir no ‘mercado educacional’, competências para atingir melhor posição no mercado do trabalho.   Nesse sentido, Frigotto situa seu olhar para a expansão da teoria do Capital Humano em sentido macroeconômico, quando evidencia os grandes interesses do BM em financiar a educação nos países considerados economicamente periféricos. De início, o alvo desses investimentos foi para garantir mão de obra, até então não especializada. Com decorrer dos anos e com a necessidade de maior complexidade e exigências do mercado, esses investimentos alcançaram a educação tecnológica e a educação superior. As verdadeiras intenções desses investimentos foram mascaradas com discursos pautados na lógica do desenvolvimento econômico da sociedade e do bem estar da população, ou seja, o progresso. Mas qual o preço disto?
        Um meio seguro e eficaz de garantir a vitalidade do sistema capitalista é o  distanciamento do Estado de suas responsabilidades sociais, para que a iniciativa privada assuma tais responsabilidades. O neoliberalismo vem buscando a cada dia desconfigurar, o Estado de Bem-Estar social, e dessa forma legitimar sua instalação. Em 1995 (no governo de FHC), o governo alegou a existência de setores não exclusivos do Estado, e a educação superior sendo um desses setores, com isso esse governo inicia sua política de privatizações da educação superior conforme regulamentação do BM. O projeto de ajuste fiscal e reformas estruturais da educação e de configuração da lógica neoliberal, posiciona a educação como mercadoria a ser vendida a seus clientes. Podemos afirmar que essa política educacional, fizeram parte dos governos FHC e Lula da Silva, sendo essas reformas educacionais uma reformulação do Estado Capitalista, onde as deliberações do BM são apresentadas como “solução” para o desenvolvimento. Vale perguntar que desenvolvimento é esse? Quanto pagamos por ele?
        Para exemplificar, Otranto, alega que BM, associa autonomia universitária com a lógica empresarial, a partir da analise que privilegia a quantidade da “clientela”; o custo beneficio do sistema; diminuição da participação do Estado; incentivo as privatizações; obediência estrita as demandas de mercado; interesse privado em substituição do público, justificando dessa forma o ensino pago. Nessa perspectiva, os fundamentos da Reforma da Educação Superior do governo Lula, em última análise, estão calçados em marcos regulatórios defendidos pelos organismos internacionais, como por exemplo o PROUNI, Lei da Inovação Tecnológica, parcerias público-privado, o decreto que normaliza a Educação a distância, além das medidas já adotadas para educação profissional.
        Todas essas estratégias (além de outras), contidas na Reforma da Educação Superior, são apresentas para a sociedade, como metas inclusivas, que possibilitarão sucesso no mercado do trabalho e melhorias sociais. Na realidade, são como inclusão excludente, já que esses conjuntos de estratégias para incluir, apenas conferem certificação vazia e por isso mesmo se constituem em um meio de exclusão. Percebe-se com isso que esse tipo de “Educação” apenas forma indivíduos capazes de executar tarefas, alienados, ou seja, sujeitos trabalhadores ausentes de práxis. A educação tem sido historicamente utilizada como mecanismo ideológico e sendo tratado como empresa. Esse fato também pode ser notado, através dos vocábulos utilizados na área educacional, como: eficiência, eficácia, gerência, clientela e gestão por meta. Nessa direção encontra-se também o trabalho docente, onde a precarização, as longas jornadas de aulas, orientações, correção de provas, participação em eventos, publicações, que hoje são marcados pela avaliação quantitativa, vinculadas a pagamentos de gratificações e financiamentos de pesquisas, nos remetem a lógica empresarial.
        Ao retomarmos o conceito que Marx e Gramsci nos forneceram, ao dizer que a escola é um aparelho ideológico do Estado, sendo este Estado capitalista, é possível compreender que o intuito do Estado é formar alguns sujeito na elite intelectual visando propagar a ordem capitalista e uma outra grande maioria para força de trabalho.
Lúcia Neves, com muita clareza, afirma em seus estudos a existência da Nova Pedagogia da Hegemonia, que sua principal característica e função é assegurar que o exercício da dominação de classe seja por meio de processos educativos. Sua atividade justifica-se em parte pela força de sua fundamentação teórica, que legitima iniciativas políticas de organizações e pessoas para que elas entendam que o Estado não pode a todo tempo e espaço estar presente, fazendo necessário assim, a que a sociedade civil e cada cidadão se tornem responsável pelo Bem-estar Social. Trata-se de uma “repolitização da política” voltadas para o fortalecimento do neoliberalismo da Terceira Via (Direita para o Social e Esquerda para o Capital).
        Para Gramsci, o exercício da Hegemonia, é sempre uma relação pedagógica que busca subordinar em termos morais e intelectuais, grupos sociais inteiros por meio de persuasão e da educação. Tal autor explica que hegemonia também pode ser entendida como projeto particular de uma classe ou parte dela em algo aceito pela ampla maioria. Uma das características do bloco histórico que se forma a partir da Nova Pedagogia da Hegemonia é a formulação de novos intelectuais orgânicos e a difusão pedagógica do novo consenso.                                         
        Com base no exposto, há toda uma lógica contida no sistema educacional brasileiro, que faz uma estreita relação entre modelos de “desenvolvimento” econômico e educação para o consenso. Onde o Estado deixa seu papel principal de responsabilidade social e legitima práticas neoliberais, para que as organizações internacionais e burguesia local exerçam a dominação econômica, política e ideológica.
O resultado desse fato é a exclusão e miséria de grande parte da sociedade.


Alessandra de Oliveira Pereira



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
ALMEIDA, Paulo Roberto de. “Florestan Fernandes e a idéia de revolução burguesa no
pensamento marxista brasileiro”, Revista Espaço Acadêmico, ano V, n.52, set.2005. Disponível
em: <h_ p://www.espacoacademico.com.br/052/52ff _almeida.htm

ENGELS, Frederich. Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em
homem. In: MARX, Karl & ENGELS, Frederich. Obras escolhidas. Volume 2. Rio de
janeiro: Vitória, 1961.

FRIGOTTO, G. Estruturas e sujeitos e os fundamentos da relação trabalho e educação. In:LOMBARDI, J. C.; SAVIANI, D.; SANFELICE, J. L.; (orgs.) Capitalismo, trabalho e educação. Campinas, SP: Autores Associados, HISTEDBR, 2004.

GENTILI P. Três teses sobre a relação trabalho e educação em tempos neoliberais. In:
LOMBARDI, J. C.; SAVIANI, D.; SANFELICE, J. L.; (orgs.) Capitalismo, trabalho e
educação. Campinas, SP: Autores Associados, HISTEDBR, 2004.

MÉSZÁROS, István. Para além do Capital. Revista Espaço Academiaco - Ano II –Nº14–Julho de 2002. http://www.espacoacademico.com.br/014/14lmeszaro.htm
NEVES, Lúcia Maria Wanderley (Org.). A nova pedagogia da hegemonia: estratégias do capital para educar o consenso. São Paulo: Xamã, 2005.
OTRANTO, Celia Regina – UFRuralRJ. A AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA COMO CONSTRUÇÃO COLETIVA - GT: Política de Educação Superior /n.11

segunda-feira, 26 de março de 2012


  

                A NEGAÇÃO DA EDUCAÇÃO

Em a negação do Brasil, Joel Zito  lança combustível, de maneira positiva, sobre a participação dos/as negros/as na mídia.
O documentário é uma viagem na história da telenovela no Brasil e particularmente uma análise do papel nelas atribuído aos atores negros, que sempre representam personagens mais estereotipados e negativos. Baseado em suas memórias e em fortes evidências de pesquisas, o diretor aponta as influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos afro-brasileiros e faz um manifesto pela incorporação positiva do negro nas imagens televisivas do país.
Em contrapartida no município de Cachoeiro de Itapemirim estamos vivenciando a negação da educação, que se convencionou chamar de Correção de Fluxo Ou seja: os alunos com idades defasadas para o ano escolar em que se encontram, em sua maioria do 6º ao 9º, são colocados, todos, em uma mesma sala de aula para cursarem o último ano da série, em outras palavras, o 9º ano. Mesmo sem conhecimento para tal, é garantido ao mesmo 99% de aprovação. Só que ao chegarem ao 1º ano do ensino médio é que outras conseqüências vão se evidenciando, como por exemplo: a falta de conhecimento mínimo para acompanhar os conteúdos ministrados, o que automaticamente causa desmotivação no aluno, levando-o muitas vezes a ficar disperso na aula, além de causar uma baixa na auto-estima do estudante. Além disso, esta situação é favorecedora da evasão escolar. 
Diante do fato, constatamos que um direito previsto em nossa carta magna, ou seja, uma educação para todos de qualidade, está sendo negado.


Vanderlei da Costa Alves

domingo, 9 de outubro de 2011

Discussão de políticas de gênero em uma instituição pública estadual

Por Flávia Carvalho Bitencourt

Objetivo da ação:

Propor discussões na Instituição na qual trabalho, sobre políticas na perspectiva de gênero que favoreçam a maior igualdade entre homens e mulheres, a fim de favorecer uma futura implantação de tais políticas.


Justificativa:

O conceito de gênero refere-se “às construções e às expectativas sociais sustentadas em relação aos homens e às mulheres. Em outras palavras, gênero diz respeito ao modo como nossa sociedade constrói representações sobre ser homem e ser mulher e pressupõe que sejam naturalmente estabelecidas.(...)  As diferenças de gênero são principalmente diferenças estabelecidas entre homens e mulheres por meio das relações sociais que se dão na história, fazendo de gênero uma categoria de classificação dos indivíduos, assim como a classe social e a raça/etnia” (texto "Panorama Conceitual, p.1).

A questão de gênero vem sendo discutida cada vez mais por pesquisadores e representantes de movimentos sociais, os quais têm como objetivo demonstrar que as diferenças de padrões foram construídas historicamente, logo, as injustiças que por anos atingiram e ainda atingem as mulheres, podem ser revertidas.

Ao falarmos em equidade de gênero, devemos lembrar que a inserção feminina na divisão social do trabalho é um dos elementos-chave para que esta igualdade seja alcançada.
Dados indicam que “o Brasil apresentou um grande crescimento da População Economicamente Ativa (PEA) nas últimas seis décadas, registrando um aumento de 5,8 vezes. A PEA masculina passou de 14,6 milhões para 56,1 milhões (incremento de 3,8 vezes), enquanto a feminina teve uma elevação extraordinária, passando de 2,5 milhões, em 1950, para 43,4 milhões, em 2008 (crescimento de 17,2 vezes)”.
Logo, podemos observar que já existe um processo de convergência no nível de inserção de ambos os sexos na população economicamente ativa. 
Um dos fatores que explicam o aumento do número de mulheres na população economicamente ativa é a relação positiva que existe entre inserção das mulheres e o nível educacional. Atualmente a população feminina possui mais anos de estudo do que a população masculina, logo, as taxas de atividade laboral destas tendem a aumentar.

Porém, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho não eliminou os problemas de segregação ocupacional e discriminação salarial, embora tenham sido abrandados. Apesar de maiores níveis educacionais, as mulheres ainda ganham salários menores do que os homens, e ocupam cargos de menor representatividade, refletindo uma persistente desigualdade de gênero.


Com base nas ideias acima, considero que como gestora de políticas públicas , seria importante a minha participação na promoção de discussões na perspectiva de gênero na instituição na qual trabalho, o IDAF- Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo.

O IDAF é uma autarquia estadual, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, cujo quadro de servidores é formado em sua maior parte por homens, visto a maioria das profissões contidas no Instituto serem, tradicionalmente, consideradas “masculinas”. Como exemplo de tais profissões podemos citar: engenheiros agrônomos, médicos veterinários, técnicos agrícolas, topógrafos, técnicos em informática, entre outras.
O IDAF foi fundado no ano de 1996 pela unificação de outras instituições públicas estaduais, logo, muitos de seus servidores são originários de outros órgãos, sendo que o seu primeiro concurso público só ocorreu no ano de 2006 e o segundo concurso no ano de 2010.
É importante ressaltar que a maioria dos profissionais na instituição são homens, especialmente os mais antigos, visto que é recente a inserção de mulheres de forma mais expressiva no mercado de trabalho. Apenas com os dois últimos concursos realizados é que houve a maior entrada de servidoras no órgão.
Atualmente o IDAF possui em seu quadro de funcionários efetivos, 361 homens e 122 mulheres, as quais representam 23,18 % dos servidores efetivos, sendo que apenas 21,15% do total de servidoras possuem cargo de chefia.

O IDAF tem atuação em todo o estado do Espírito Santo, através de quatro Escritórios Regionais (Escritório Regional de Cariacica, de Cachoeiro de Itapemirim, de Colatina e de Nova Venécia). Estes são subdivididos em Escritórios Locais em diversos municípios. Vale ressaltar que todos estes escritórios (Regionais e Locais) possuem chefia.

Para elaboração deste Plano de Ação foi destacado a Regional de Cachoeiro de Itapemirim, a qual possui nove escritórios locais vinculados a ela, ou seja, dez cargos de chefia. Deste total apenas uma chefia é ocupada por mulher.  Desta forma, fica claro o quanto a representatividade feminina ainda é pequena na Instituição, sendo necessária a discussão do tema gênero no órgão, a qual poderia futuramente evoluir para a implantação de políticas públicas na perspectiva de gênero.



Descrição da ação:


A problematização sobre a questão de gênero no IDAF poderia ocorrer através de grupos de discussão, oficinas temáticas, dinâmicas de grupo. Tais atividades poderiam ser realizadas primeiramente no Escritório Regional de Cachoeiro de Itapemirim, dividindo os servidores em pequenos grupos, e posteriormente, tais ações poderiam ser levadas para os outros Escritórios Regionais do IDAF. Como sou psicóloga do Recursos Humanos da Instituição, isso facilitaria a ocorrência de tais ações, visto que minha atuação já é voltada para os servidores  .



Cronograma:


Para o planejamento das ações seria necessário cerca de dois meses, sendo que nesta fase seria realizado o projeto por escrito, o planejamento das ações a serem executadas (periodicidade, local de realização, matérias necessários, despesas) e a subdivisão dos servidores e servidoras em grupos.


CRONOGRAMA DE PLANEJAMENTO:

ATIVIDADE

JAN/2012

FEV/2012
Elaboração do Projeto por escrito
X
Planejamento das ações a serem executadas
X
Subdivisão dos servidores em grupos
X




Já para a execução no escritório regional de Cachoeiro de Itapemirim, seriam necessários três meses para a realização dos grupos de discussão, das dinâmicas de grupo e das oficinas temáticas (essas atividades seriam realizadas alternadamente nesses três meses). Neste período seriam trabalhados todos os (as) servidores (as) pertencentes aos nove Escritórios Locais vinculados ao Regional, além do próprio Escritório Regional de Cachoeiro de Itapemirim. Porém, caso se constatasse ser interessante estender tais discussões para todos os Escritórios do IDAF, seriam necessários mais cerca de 9 meses, visto que o órgão possui muitos servidores e estes encontram-se espalhados por todo o estado, o que faz com que a ação seja mais demorada, já que é necessário o deslocamento do facilitador e dos servidores participantes para o local de realização das ações.

CRONOGRAMA PARA EXECUÇÃO NA REGIONAL DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

ATIVIDADE

MARÇO/2012

ABRIL/2012

MAIO/2012
Grupos de discussão
X
X
X
Dinâmicas de grupo
X
X
X
Oficinas temáticas
X
X
X


CRONOGRAMA DE EXECUAÇÃO PARA TODOS OS ESCRITÓRIOS DO IDAF

ATIVIDADE
Jun/2012
Jul/2012
Agos/2012
Set/2012
Out/2012
Nov/2012
Dez/2012
Jan/2013
Fev/2013
Grupos de discussão
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Dinâmicas de grupo
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Oficinas temáticas
X
X
X
X
X
X
X
X
X


População beneficiada:

Os servidores do IDAF de ambos os sexos.


Referências Bibliográficas

HEILBORN, Maria Luiza; ARAÚJO, Leila; BARRETO, Andreia (orgs). Gestão de políticas públicas em gênero e raça/GPP-GeR: módulo 2. Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2010.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quem manda no Bolsa sou eu!

por Carla Scardua

OBJETIVO DA AÇÃO:
 Despertar nas mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família a noção de cidadania e a percepção do benefício enquanto direito.   

JUSTIFICATIVA:
O Programa Bolsa Família - PBF é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades, que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza. Foi criado pela Medida Provisória nº. 132 de 20 de outubro de 2003, transformado na Lei nº. 10836 de 09 de janeiro de 2004 e regulamentado pelo Decreto nº. 5209 de 17 de setembro de 2004. O Programa possui três eixos principais: transferência de renda, condicionalidades e programas complementares.
Para fazer parte do PBF, os interessados devem possuir renda familiar mensal de até R$ 140 por pessoa e estarem cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais. A renda da família é calculada a partir da soma do dinheiro que todas as pessoas da casa ganham por mês. Esse valor deve ser dividido pelo número de pessoas que vivem na casa, obtendo assim a renda da família por pessoa.
Há no Programa Bolsa Família a preferência pelo Responsável familiar ser a mulher que será responsável pela gestão do benefício, pelo cumprimento das condicionalidades e também pela participação nas atividades de inclusão produtiva. Todas essas tarefas são atribuídas às mulheres e reafirmam a desigualdade de gênero existente no Programa.
  Essa desigualdade de gênero pode ser interpretada com respeito ao lugar ocupado pelo homem e pela mulher na sociedade. As diferenças oriundas daí e ao pouco reconhecimento da cidadania das mulheres e as poucas oportunidades que elas têm acesso.
O conceito de cidadania no Programa Bolsa Família se resume, por muitas vezes, a posse de um cartão ou recebimento de um benefício. Este falso empoderamento não garante efetivamente o acesso aos direitos sociais básicos e não oportunizam as mulheres a garantia da construção de sua identidade, da definição dos papéis dentro da família e de uma reflexão acentuada sobre as responsabilidades de gênero.
O falso conceito de cidadania e a concepção de direito enquanto favor ainda é a percepção de muitas mulheres beneficiárias. Portanto, acreditando que as mulheres enquanto sujeitos coletivos possuem força na luta por direitos específicos, historicamente demonstrado, propõe-se com este projeto a promoção do desenvolvimento e o empoderamento das mulheres vislumbrando o acesso as informações para que estas se percebam enquanto cidadãos de direitos e atores políticos com a capacidade de transformação da realidade social.
DESCRIÇÃO DA AÇÃO:
Para tal projeto será realizada uma enquête entre as mulheres do programa Bolsa Família que irão realizar a atualização cadastral, vislumbrando identificar o conceito de cidadania e a percepção do Programa bolsa Família enquanto direito, percebido por cada uma delas.
Através desta enquête será selecionado um grupo de 25 mulheres com diferentes percepções que serão convidadas para participar de uma oficina chamada “quem manda no Bolsa sou eu”. Esta oficina será formada por 8 encontros expositivos-dialogados, com dinâmicas de grupo, construções individuais e coletivas, jogos, simulações, dramatizações, debates, exercícios envolvendo sempre situações que façam as beneficiárias refletirem sobre cada conceito abordado. Buscar-se-á esmiuçar sobre a cidadania, participação social, gênero, empoderamento das mulheres, direito entre outros conceitos que podem vir a surgir no debate. Tais discussões servirão para embasar propostas e idéias de ação que serão executadas pelas mulheres alvos da oficina visando a garantir que outras mulheres do Programa Bolsa Família reconheçam seus direitos e sua força enquanto protagonistas desta política de governo. 

CRONOGRAMA:

ATIVIDADE

JAN

FEV

MAR

ABR
Enquête
X



1º Encontro

X


2º Encontro

X


3º Encontro

X


4º Encontro

X


5º Encontro


X

6º Encontro


X

Propostas de Ação


X
X

POPULAÇÃO BENEFICIADA: Mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família do município de Cachoeiro de Itapemirim.